17.5.08

Iron Man
[ou how fragile we are]


Tony Stark tem tudo que todo homem um dia sonhou na vida. É rico. Muito rico. Muito, muito, muito rico. Podre de rico. Poderoso. Poderosíssimo. Muitíssimo poderoso. Não é lindo de morrer, mas tem charme. O charme dos muito fodões. É gênio. Muito gênio. Geniíssimo. Tem um big, big jato, cheio de aeromoças que deixariam Gisele Bundchen se achando um bucho. Os carros de Tony Stark não existem de tão espetaculares. A casa de Tony Stark é a casa das casas. The big one. Tony Stark é capa de todas as revistas dos poderosos da América. Tony Stark consegue tudo que quer. Tony Stark é o homem que todo homem sempre quis ser. Tony Stark é senhor da vida e da morte. Tony Stark é o dono do mundo. E é aí que Iron Man ultrapassa a condição de ser, apenas, um filme de super-herói para adolescentes e passa a ser um filme sobre a fragilidade masculina. Iron Man é, muito mais, um filme para homens. Um filme para adultos.
Está tudo lá. O coração falhando e precisando de ajuda externa para se manter batendo. A descoberta da “finitude”. O questionamento do que se fez e do que não se fez na vida. A necessidade de criar uma armadura para ser mais forte, para ir além. A descoberta de que se é humano e, portanto, de que é preciso uma armadura sólida para enfrentear o mundo que, lá fora, não entende mais você, seus sonhos, não concorda com você e quer te destruir. A armadura não é prisão: é liberdade.
Há muitos simbolos em Iron Man. Uma das sequências que mais gosto é a em que Peppers, a secretária bonita e dedicada, mexe e remexe no peito vazio de Tony Stark, lambuza os dedos com o que está lá dentro e sente nojo, mas tira o mecanismo que o mantém vivo e coloca um novo. Mais brilhante, mais forte. Ele sente algo parecido com um choque. Porque ela o fez renascer, ela mexeu no coração dele como nunca alguém fez. E ele deu o "coração" antigo para ela, que o guardou em uma caixa de vidro. E, mais tarde, o presente que ele deu a ela o salvou.
Iron Man é repleto de metáforas sobre o mundo masculino. Somos, sim, eternos meninões, loucos por tecnologia e com vontade de sermos mais fortes, mais poderosos. Somos vaidosos como Tony Stark, e usamos máscaras de ferro para parecermos mais fortes do que somos. Tadinhos, nem somos. Temos medos. Muitos. Medo, por exemplo, de ficarmos carecas. Não é a toa que os vilões de Iron Man são carecas. Está no nosso imaginário. Herói? Cabeludo, cabelos esvoaçantes. Vilão? Careca, feio. Inseguranças masculinas, queridas.
A trilha de Iron Man é trilha de homem. Black Sabbath dá as caras num rearranjo fenomenal de Ramin Djawadi, que dá o tom de todo o filme. Por mais que a homaiada hoje se ache e diga que é sensível (e, fim dos tempos!, há quem goste de dar uma abaixadinha ao som do pagode da moda), homem de verdade adora a energia e a força de um bom riff de guitarras e baixo. Não dá para não se sentir mais forte e "macho". Desculpem, moças, acho que vocês não entendem.
É perfeita a escolha de Robert Downey Jr para ser Tony Stark. Há, entre eles, uma proximidade impressionante. Robert Downey Jr é uma espécie de Tony Stark do cinema. Teve tudo, muito cedo. Fama. Dinheiro. Sucesso. Muito sucesso. Depois de Chaplin, drogas. Muita droga. E o limbo. Renasceu, assim como renasceu Tony Stark, com Iron Man. E, se Tobey McGuire e sua cara meio enjoadinha de menino são a cara do Homem Aranha para sempre, e Cristopher Reeve é, definitivamente, o Superman, Robert Downey Jr é, a partir de agora, Iron man.
E Tony Stark é tão masculino, tão real, tão próximo de nós, que está resumido na última sequência do filme e em sua última fala. Mesmo depois de tudo, de tentar se redimir dos erros, de descobrir o amor, de lutar pela justiça, de descobrir a verdadeira amizade, de construir uma vida nova a partir dos 40, no final reassume sua condição de homem. Num acesso de vaidade, diz para todo mundo: “i am Iron Man”.
Ninguém é de ferro. Nem o Iron Man. Que frágeis, nós somos.

Ficha Técnica

Título Original: Iron Man
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.homemdeferro.com.br
Estúdio: Dark Blades Film / Marvel Entertainment / Road Rebel
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Art Marcum, Matt Holloway, Mark Fergus e Hawk Otsby, baseado em personagens criados por Stan Lee, Don Heck, Jack Kirby e Larry Lieber
Produção: Avi Arad e Kevin Feige
Música: Ramin Djawadi
Fotografia: Matthew Libatique
Desenho de Produção: J. Michael Riva
Direção de Arte: Suzan Wexler
Figurino: Rebecca Bentjen e Laura Jean Shannon
Edição: Dan Lebental
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / The Orphanage / Lola Visual Effects / The Embassy / Pixel Liberation Front / Stan Winston Studio / Gentle Giant Studios

Elenco

Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro)
Terrence Howard (Tenente-coronel James "Jim" Rhodes)
Jeff Bridges (Obadiah Stane / Monge de Ferro)
Leslie Bibb (Christine Everhart)
Shaun Toub (Yinsen)
Faran Tahir (Raza)
Sayed Badreya (Abu Bakaar)
Bill Smitrovich (General Gabriel)
Clark Gregg (Agente Phil Coulson)
Tim Guinee (Major Allen)
Gwyneth Paltrow (Virginia "Pepper" Potts)
Kevin Foster (Jimmy)
Garett Noel (Pratt)
Eileen Weisinger (Ramirez)
Ahmed Ahmed (Ahmed)
Gerard Sanders (Howard Stark)
Jon Favreau (Hogan)
Thomas Craig Plumer (Coronel Craig)
Samuel L. Jackson (Nick Fury)
Stan Lee

1 comment:

contra-regra said...

Finalmente um filme de super-herói que vale a pena de ser visto em sua máxima intensidade. Jon Favreau e Rober Downey Jr. mostram como o cinema de quadrinhos pode ser um entretenimento sério e bem feito. Uma salva de palmas a dupla! e que venha a continuação...